sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Terra Arrastada

Diminuindo a cada dia
o ciclo se amplia
ao redor da minha dor
Solidão que contagia
desde a casca da ferida
até o berço do perdão
Tanto faz quem sou eu
o que penso e do que sei
não teria tantas certezas
sem ter andado por onde andei
Passarinho me cantou
um som bonito de se ver
Passarinho me bica o peito
um carinho e um lamento
antagonismos pro meu bem.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Meus emes

Movimentos marginais cercam padarias em busca de fornalhas de pão e sonho. Morde, maxilar, movimentado maquinário mudo, medonho, metido, manda montar morada; minha maledicência mexe moinhos, move montanhas!

Dalhe dollar!

Delato detritos culpados em detrimento de medidas drasticas.
Juramentado está!
O meu ponto de partida afunila vencedores que chegam por último. Galhofas, garrafas, gatinhos.
Tropa encefálica ruma ao infinito, de botas...
dez calços... dez nutridos... dez necessária compreensão.
Lotiei o labirinto, joguei piranhas nos neurônios, afoguei o ganso no gozo da íris que encarcero nas minhas linhas.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Logo ali eu caio

Um, dois, três
balanço torto
resisto sorrindo
finjo alegria
quatro, cinco, seis
levanto combalido
triste constatação
covarde destino
sete, oito, nove
falta pouco
peito estufa
cooração coagula
dez
isto
eu
findo

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sophro

No vento
soprou mais uma vez
assobio lento e finito
chora mais bonito
findo horizonte
doce e agora
O que fazer ontém
durante a manhã inteira?
Passeio torto
num mundo morto
só mais um pouco
duvido você ser feliz!
prefiro o sopro de hoje...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Lânguida, Morfética e Azarada

Escândalo no horário nobre
se move sem parar
Tagarelando escrotices
até seu ouvido conquistar
Morbido pestanejar
te prende a cintura
não te deixa gritar
Morte ao tédio
frio mundo a naufragar
sobre tudo um indício
do moribundo futuro
onde vejo tudo escuro
andar, parar e acabar

sábado, 6 de agosto de 2011

Liquefaz nos Dedos

Das taças líquidas da tua solidez
brotam frias serpentes de ternura.
Rapto eu de mim
me atiro de corpo e sangue
Mergulho em tua aurora
sem temer o sim.