sexta-feira, 26 de abril de 2013

Irrefreável


Caminho pela sombra
os dedos, em cheio
palavras mudas
escrito sem jeitos
a carne nua
sofista perfeito
a testa sua
escorre respeito
a pele tua
move nevoeiro
ação escura
a rua inunda
o verso desgruda
cai a certa altura
quebra como vaso
se entrega como prostituta
faz um estardalhaço
e finge que tá tudo bem!
eis o escárnio

Mais um pouco um muro se erguia...


Do jeito de antes era melhor
penso menos, morria mais, inventava moda?
Bobagens escritas em papel de pão
ora mordiscadas, inexoráveis, baleias e leões marinhos
Duvidava das pretensões, confiantes mais do que confidentes
os pés.
Gosto de como cheiram ao caminhar, havia muita tolice por onde passavam
os tempos mudaram, dizem os mentecaptos, dura observação
Aos poucos é como se levitasse
saísse de órbita.
Fuligem se acumula do beiral da janela
onde os sonhadores apoiam seus cotovelos
pega fogo acolá.
Sobram poucas retinas historiadoras, contadoras de causos fantásticos
os tempos mudaram.
O cataclisma se aproxima,
salvem seus corações!!!

Ato Findo


Sobe no alto do morro
do seu peito, meio torto
debaixo do torso, seu moço,
e tira a medalha de lá!
Mostre ao Sol
teu canto de rouxinol
dedilhando o arranjo
pelas linhas do violão
Agradeça o valor,
seu sorriso na cadeira,
da amizade em mesa de bar
antes de ontem, em plena quarta feira
afinada em Dó
maior
menor
menas satirfação
o cheirinho é o ó
seje noite, seje dia
a bater na guarita
seu seguro de vida
ou o cafuné de volta!
Mostra pra essa gente
como apertar o botão
e quanto é gostoso
(até então)
ser infame, soberbo
maroto e garanhão!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Da Crase à Crise

Minha onda é ser azul
Infinito insular, anis
sentado na beira do mar
Ouvindo vozes de lá
- vem cá
Sobressalto vermelho jorra do peito
me faço só com meus cabelos
Desato os fios com as mãos de meus sonhos
Findo o ato do silêncio
oro por ouro
olhos dos outros
ossos eu ouço
roer a corda
de choro gostoso
lágrimas caem cintilantes
verbos, adjetivos e consoantes distantes
já era hora de acordar
ordem: recomeço
logo adiante
tropeçar
de novo
o tolo
mente outra
vez

quinta-feira, 21 de março de 2013

Darrachadura Pouco

Trav[o]ei nos devanem ao menos, mudei!
Mundei-me, disse Eu, por umA caso.
Poemais de menos, à Vêrnus nóis duros lá
Sugado, pós mastigado novo, rebelde!
Palavras atam, palavras libertam
O tal gap...

segunda-feira, 11 de março de 2013

Desmente Baixo


andando em circulos
houve momento
o doce pode salgar seu sono
fingimentos
trapaça sua, morbidez eloquente
tanto por tempo indeterminado
faz coro o miolo com fermento
sobe mas nem sempre cresce
se fosse do avesso...
senta menos, corre mais
vive sem gravidade
o mundo vira suas pernas para o ar

a semelhança distante do acaso


Dado um fato consumado no mato
Fora de hora, uma torta de amora
Amei, pensei, ser rei
E o pato foi pago com trocado
Ora dora na aurora lá fora
Demorei a ver o que serei
Uma ova, gritei, contrariado
Favos contados em trova eu não considerei
Eis o fato desvendado e...ninguém deu bola