sexta-feira, 18 de março de 2011

A Hipotenusa

Canso de esperar todo dia
Tramites ilegais disparam
contra meu peito orgias
românticas e devaneios
de mitos criados no medo
Portaria aberta deixa
entrar quem quer
Coração derrete por latão
mania recorrente na falta
e na presença que faz falta
Inquieto pedaço de carne
sou mudo e falo
cego e enchergo
surdo e sinto
cheiro de que vai voltar
a ponta do circulo
da mania de querer
sempre
carinho
na falta do que o faz mais doce
A portaria tá entre
aberta...

domingo, 13 de março de 2011

Trote rumo ao calor do peito

Rápido
Rápido
Rápido
Rápido
Não vou me apressar
O amor chega logo
Não me faz esperar
Corro
Corro
Corro
Para parado ficar
Sem vontade de progredir
Tenso com a possibilidade de explodir
Logo vou sucumbir
à vontade de amar
Devagar
Devagar
Mais rápido que o vento
que sopra tranquilidade no meu rosto
estarei disposto a me apaixonar?
de novo venho espremer
toda ternura do meu ser
em linhas frenéticas
atropelando a fonética
das vibrações sujas
que me lambuzam de angústia
quem será @ próxim@?
Ai, amor...

Sem medo do escuro

Nos lamentos sempre brota ela
minha tristeza tem nome
das fantasias desse carnaval
a que me fez mais mal
foi ver ela com aquele cara de pau
Não cobro nada
sou mais um cara
com a dor do que já foi
mostro meu zelo
fodam-se os dedos
que venham me apontar
pode ler
pode zuar
pode aplaudir
mais isso é a dor
de alguém que não sabe mentir
que no peito leva amor
por alguem que passou
e que nunca vai partir

Tristeza num copo de cristal

Eu quero morrer nos braços dela
mas o ninho tem espinho
e nao deixa o pásaro ficar
me doi pensar que já foi
mas veja o boi
que com chifre vive sem problema
mas o poema nao da dica de dor
só se for besteira falar da cor
que me tira o rumo
quando vejo vc no prumo
com outrém

Tu acha que sou o bamba
que to levando pra cama
cada uma que aparece
pois saiba muito bem
que não tem ninguém
quem me faça tão bem
quanto vc me fez
Todas não são uma
perto da tua envergadura
de mulher do meu querer
te dedico essa prosa
no alto da minha foça
pra ver se fico menos infeliz...

Do jeito que posso, eu falo...

Menina vou te falar um negócio
que tá igual um troço
que não me sai da garganta
quando vc pinta na minha cabeça
a coisa fica feia
não que minha perna estremeça
mais isso me preocupa
até na chuva eu lembro de vc
me fazendo compreender que a vida é mesmo dura
sempre ali do meu lado
me confortando com um abraço
fazendo um traço de amor no meu peito
minha linda
meu xuxu
enfrento o carandiru pra te ter denovo
uma vez que seja
pra transformar a tristeza e melancolia
na mais plena alegria
que o mundo já teve notícia
na verdade eu teimo em esconder
que eu gosto mesmo é de vc
mas preciso compreender
que não se tem tudo na vida
vou por meu banjo no saco
e aguentar o esculacho
que é viver sem vc
tá difícil esse pavor
de ficar sem o sabor
da tua saliva
ai como eu queria
fazer do tempo uma saída
pela dor de te ver de partida
não sei o que me deu
mas o culpado fui eu
de tanta tristeza
sigo na vida abalado
porque sem vc do meu lado
nada mais tem colorido
que nossas vidas sigam adiante
espero pra vc o melhor doravante
mesmo além de mim
choro escondido a perda
sem querer aceitar
que a felicidade não está em alguém
pois que seja feliz com outrém
enquanto triste fico
sem me confortar em  ninguém...
Saudade tua, xuxu...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Gargamel e sua espada

Filosofias de coito interrompido sujam os olhos de quem as grita.
Tordesilhas que tratam de manter o lobo fora da jaula.
Avisto o infinito
mas fulano insiste no rosa.
Capoeira que se esgueira morre longe do ninho
Matadores que arquejam, deixam só um pouquinho
de fé
Das carcaças dos esquecidos, flui incerteza
Uma folida de cada vez
Caminhada de pernas pro ar
pus de chocolate nas veias da vida
Liberdade tardia
que promete mais dores
aos bravos navegantes das areias
dos cimentos das calçadas das vilas
Onde movimento é inércia
Jugular é prato de comida
e sereno é abrigo do forte

A Dama de Ferro

Prega prego em mim
Dexa a bola bater
e quando ela encher
Prega um prego em mim
que a dor não há de ser
pode não parecer
maior do que a que habita o peito
O olhar não tem mais rumo
Busco distrações em um buraco fundo
Cheio de lágrimas secas
Magro de sofrer
Sou pequena poça
sem a força do mar
Então, quando prestes a tentar
denovo me reerguer
cospir a amargura
destronar a solidão
enfim
Pregue já um prego em mim!