segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Bolinha Pluft Bolinha

Copo vazio
água
Copo CHEIO
água
Cachorro sujo
água
Cachorro limpo
água
Sede
água
Saciada
água
Vasa
água
Escorre
água
Falta de
água
Seca
água
Mole
água
Pedra dura
água
Bate
água
Fura
água
Torneira aberta
água
Torneira pingando
água
Pelo ralo
água

Ignóbeis Nobrezas da Alma

Se seus olhos são tristes
o que vejo ao debruçar na janela de tua alma?
Toco-lhe a tez cerrada com meu mindinho
o mais tímido nos dígitos
e te faço carinho demorado
Deixa cair a lona e arma teu circo pra mim
Crio picadeiro suntuoso, arquibancadas intermináveis
trago espectadores importados "made in china"
Todos vão aplaudir teu espetáculo
do palhaço oriundo do teu escárnio
ao Anão Pretensão, o mais alto da tua estima
Teus olhos vigiam minha ironia
meus dedos te ignoram
e te expõem mundo a fora
agora, ao voltar pra tua casa
te levo presente
um óculos escuros
pra você enxergar bem o amor da gente!

Nadando naquele Gap

Tem uma hora pra tudo
inclusive a do almoço
que não é a mesma em todo lugar
e não tem comida na maioria
Tem um dia pra cada pessoa
e todo dia pra muitos ninguéns
Tem consumo pra todo lado
no camelô é mais barato
só é mais caro pra quem se dá bem
Tem trabalho de sobra
e infindáveis engarrafamentos
dinheiro que é bom, também é insificiente
Tem gente que se importa
e mesmo sem gostar de jiló
tenta desatar esse nó
que os outros fizeram
amarrando o cararço dos ricos
estrangulando a lingueta dos descalços
Tem doido pra tudo
escravizão gente
picham muro
escrevem bobagens
são poucos
e são muitos.

Ponto Final

Sento e espero
Logo o ônibus passa
Olho no papel e confiro o número
Tem dias que não vejo números tão bonitos
e todos juntos, uma beleza!
Passa uma senhora com sua neta
sorrio para as duas
mas é o gato da menina que sorri de volta
espero
Uma pomba aterrissa perto do moço ao meu lado
sem pestanejar ele a chuta pra longe
viro o rosto, dou de cara para um anúncio de shampoo
lindos e sedosos os cabelos da modelo
beleza é tudo nesses dias tão estranhos
Passa um carro tocando música alta
uma mulher com um bebê no colo tapa os pequenos ouvidos
a criança não espera e chora
mas eu, espero
Finalmente, é ele dobrando a esquina!
Levanto feliz, ele parece ser refrigerado
sou interrompido pela visão mais clara
não, não é esse o número
sento tristonho e volto a esperar
De súbito me assalta o sentimento
de como é triste esperar
tanto que algo bom aconteça
como que o tranporte certo apareça
não nascemos para esperar
eis o motivo das pernas
elas estão aqui em baixo pra nos levar
nos pôr em movimento
Parar é mais justo que esperar
parados, observamos
esperando, esperamos
e só
nada de verdade acontece
Desperto do devaneio e cá está ele
com seus lindos números me encarando
mas, refém da coerência
deixo a porta se fechar e que ele se vá
Levanto, dessa vez feliz com o motivo certo para seguir em frente
Um menininho cruza meu caminho e sorri pra mim
aparentemente sem motivo
logo percebo que o motivo é a vida
abrindo uma janela depois da porta que fechou.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Bobagens da Realeza

- Já olhei pela janela?
Essa foi a dúvida que tirou o sono do Rei
Essa é a astúcia que lhe faltava
Debruçar no para-peito
botar a mão no queixo
e assoviar pro amanhã
- Deixo desavisado todo o reino?
Protelou primeiro, perguntou depois
Sorriu de volta para o beija-flor lá fora
Quis voar também
- Avareza é fruto de menos sorrisos?
Ele tinha tudo menos isso
Essa roupa toda fez perder a hora
de abraçar o moço que limpa seu trono
Bobagens da realeza...
- Me sinto forte, mas me falta sorte!
Essa exclamação acalmou seu coração
e fez calçar suas (humildes) botas
- Vou sair pra ver o mar!

Sexta Semente

Sólido aquele ser só
Sofre são na solidão
Sábio sacrifício
Silêncio sepulcral
assovio seco
sofre censura sensual
Sucesso sem igual!
Subida saliente
sugere sorte
Sem sentido
cesso subitamente

Seria Serena Sereia

Me deixa desencantar
decantar os versos
desabrochar
na ponta do meu lápis
que não é rosa
é amarelo
e belo
não só por isso
seria omisso se me impedisse de falar
o quanto tem me ajudado
a tagarelar
pelas azuis
porém linhas
do carderno verde
Escrever como exercício
sem eira nem beira
nenhum precipício
ou perigo a espreita
Sou eu quem me rejeita
vez ou outra
só de brincadeira
Longe de mim ser a pessoa mais absorta
nos seus devaneios
Me desconcentro de mim facilmente
fica difícil de acompanhar
como impedir os passarinhos de voar
ou pedir ao Sol
[aqui do lado]
parar de iluminar
-me
dia e noite