domingo, 11 de dezembro de 2011

Tomando Jeito em Copo Americano

De todas as sinceridade que habito
essa é a mais certeira
Nódulos opressores
me fazem escapar as letras
Difícil conjunção de pensamentos
sentimentos
movimentos
desalento.
A flor do humor de cada dia.

Da Ave o Mito

Já foi tempo certeiro de idas e fugidas
Tropeços contundentes regados a feridas ardidas
Fatalmente fui manco nas vontades e santo nos desejos
Gorgeador fanático, sempre pulei as grades do berço
Nada nelas nublou naturais nuances
menos racionais, mais salames
Os embates foram muitos nos campos de sabão onde bolhas eram certezas de novas angústias
Hoje sempre fico só na varanda dos meus pensamentos
soprando a fumaça do cigarro enrolado em papel de cetim
recheado de movimentos que em mim fazem morada breve
nem morte ou vida se atrevem a macular tanto amor
Motivos não me faltam pra falar de ti, óh rouxinol metálico
saiu dos longos fios do cabelo o aroma de uma nova esperança
a possibilidade de enfim viver a abonaça a tanto desejada
A calmaria doce de raios fortes e chuva apertada
Desnudo estou outra feita na frente de todos!
Fato verídico na vida de sonhador
é pensar pouco e sentir mais amor
Proclamo você, rouxinol, o agitador das águas de mim!
Será que voarei ao teu lado
ou a satisfação virá somente de ouvir teu canto
sem muito encanto ao falar de mim?

Pouco Porém Potro Selvagem

Há certeza
A idéia é fixa como raíz na terra
Mas o que fazer? O medo imperra
o ímpeto voraz se esconde atrás da pedra
que já foi meu coração
derretido como uma vela
pela chama acesa por ela
Rapaz, tenha cautela!
Eis o furor de outrora
doença sadia, o meu corpo inebria
sem dia pra ir embora
Confiar no destino é meu caminho
faço pouco, demonstro carinho
preferia gritar a falar baixinho
porém tudo certinho, cada palavra no seu lugar
seria bacana te mostrar o mundo bom da gente junto
de mãos dadas a passear
pelas abstrações e divagações
se beijando a cada frase
sem receio de sufocar
apenas carinho, sentir a face corar
e dividir
a delícia de viver como um casal bacana
curtindo antes, durante, depois
e das amarras mundanas
se libertar!

domingo, 20 de novembro de 2011

1%cima

Traguismos insólitos de pura aversão nutrem rotinas retilíneas, provocativas chamas de tendões moribundos, todavia, respirações urbanas gastam vidas cheias de atos falhos.

Tra lá lá Rá tá tá...Má vá!

E se toda vez que tomasse sopa com colher
te nascesse um furúnculo na planta do pé?
E se motivos lhe faltarem pra falar
saberias responder o quê é?
E se na sua rua falta energia
tu espera o banho quente ou parte logo para uma orgia?
E se parasse de pecar
abriria um cabaret?
E se morressem os bons
ficarias com cara de mané?
E se todas as músicas virassem um grito
teus ouvidos se caraliam atrás de um mísero "pois é"?
E se o interlocutor te amordaçasse
teu nome mudaria pra José?
E se essas linhas não existissem de verdade
e tu soubesse que delas vem pouca bondade
teria lido tudo ou "boa parte"?

Ventos positivos balançam todas e as mesmas bananeiras
sempre tem um tempinho pra mais uma asneira!

Mantêga Maneira

Trago mudo vacilante, imundo.
Morte e alopra!
Dedo inquieto, chove no molhado, agulha meu teto, joga a toalha, diz "vá pro inferno!", muda o curso, despensa discurso, fode com força, ativa movimentos centripetos em cima de uma casca de nós tomando um conhaque de marca Moscatel.
Alivia o curso do rio grilo, grelhamentos bundiscos enfileirando moscas mortas cuspindo mordaças aos 7 tentos.
Seriam os deuses risadas do Astronauta?
Motivos brancos de fuligens com origens aquáticas.
De cara pros piratas vestidos de terno de vinho e cuecas raspadas o menino se assusta com tanta canetada.
Ramificados tombos pelas infindas crateras onde surfo eu só, motivado por formigas famintas sem um pingo de dó.
Ói só eu fraseando esterco momentaneo lavrado da minha cuca!
Deixa de ser rabugento, moinho, e venta logo pra cá!

Ícaro vs. Posseidon

Gandes asas se afogam no aquário
Dá-me barro, te entrego tijolo
Do teu mundo muro
manchado todo
tu és um tolo
Dos murros afoitos aceito
todos
Guerra declarada
perdas
almas desamparadas buscam mordaças
ali acham socorro
Bombas e bulimia
sexo numa ponta
na outra nem farinha
Humo nos pratos de porcelana
Poeira sobra no canto da sala
estamos bem com e sem vocês
Whait! I want you
Promessas de zumbis valem comida
sobrevida
sobrevivida
Resta um!
Xamãs antigos sopram na calada
do teu ouvido
Fingir não basta, a carregar um enfermo
nas costas da tua alma
vasta, sem eira nem beira
Caminhando segue uivando
Embaixo dos pés
esteiras
estreitas
esméras
esperas
esparramas
esfolado
esfaquiado
espetáculo!
Celebra hoje o infinito do amanhã
nunca estará comigo
minha certeza é vã
Sufocamento seguido de óbito espiritual
sigamos todos esse mesmo ritual
não faz mal
um poema assim tão sacal
de uma ressaca moral
amarelada tal qual vasto milharal
dissecando momento tão belo
tão baixo astral
quanto qualquer instante banal
O
o
.
Quem diria ser um peixe
quem foi no mais profundo líquido
afogar
as asas tão belas
que voos mais altos
está impedida de alçar.