Asa aberta
a onda me leva
sou foca
sou corsa
sou passarin'
Vejo verde profundo
disparo e mergulho no mundo
vastos campos
vários encantos
o imenso de mim
Acordo das cordas
acordos fora de hora
tentam atar
tentam calar
mas o vento corre de mansin'
Sou meu momento precioso
chupo a vida até o caroço
faço da bossa troça
plantando sementes sem pudores
e vou por aí
apenas colhendo sorrisos
e amores!
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Batei-me, Saudosas Botas!
Foi assoviando uma doce melodia
à luz do Sol de meio dia
que ele se deu conta
"essa onda, foi daquela ponta"
Já tinha decidido parar
a ficar sem tragar
a erva colorida por um tempo
isso foi no fim de novembro
Andava meio triste
não tolerava nem um chiste
diziam que foi culpa dela
('ele é do tipo que amarela')
Recusava-se a admitir
também não sabia mentir
preferiu se recolher em casa
e parar um pouco com a fumaça
Queria mesmo era queimar a mufa
fazer da cabeça uma estufa
para dar vazão a grandes ideias
(em vez de pensar naquela mocreia)
Não demorou e um filho nasceu
um projeto lindo como um doce camafeu
e ele enfim foi feliz
(e acabou esquecendo aquela tal de Liz)
Saiu de casa sorridente
amigos o esperavam bebendo fortemente
e fizeram festa quando ele chegou no bar
era hora de se embriagar!
Comemorou todos aqueles dias de reclusão
virando uma tequila sem a menor noção
mas antes de ficar na mão do palhaço
com dois dos seus, retirou-se do espaço
não iam demorar nadinha
Pedro tinha só uma pontinha
seria rápido de matar
foi o suficiente pra sufocar
a garganta desacostumou
"acho que depois dessa eu me vou"
despediu-se ao findar da ponta
mas deixou dez conto pra ajudar na conta
Na luz vermelha a avenida atravessou
mas teve um ford que não parou
Foi tudo tão rápido e forte
que ele só teve a sorte
de lembrar dessa história
e foi sua única memória
antes do fim
mesmo assim
deu tempo de sentir saudade
o que, aquela altura, parecia maldade
que viesse colar na sua retina
o sorriso daquela menina
a qual ele jurou não querer ver nem amar
e justo ela seria a única estrela no céu do seu último olhar.
à luz do Sol de meio dia
que ele se deu conta
"essa onda, foi daquela ponta"
Já tinha decidido parar
a ficar sem tragar
a erva colorida por um tempo
isso foi no fim de novembro
Andava meio triste
não tolerava nem um chiste
diziam que foi culpa dela
('ele é do tipo que amarela')
Recusava-se a admitir
também não sabia mentir
preferiu se recolher em casa
e parar um pouco com a fumaça
Queria mesmo era queimar a mufa
fazer da cabeça uma estufa
para dar vazão a grandes ideias
(em vez de pensar naquela mocreia)
Não demorou e um filho nasceu
um projeto lindo como um doce camafeu
e ele enfim foi feliz
(e acabou esquecendo aquela tal de Liz)
Saiu de casa sorridente
amigos o esperavam bebendo fortemente
e fizeram festa quando ele chegou no bar
era hora de se embriagar!
Comemorou todos aqueles dias de reclusão
virando uma tequila sem a menor noção
mas antes de ficar na mão do palhaço
com dois dos seus, retirou-se do espaço
não iam demorar nadinha
Pedro tinha só uma pontinha
seria rápido de matar
foi o suficiente pra sufocar
a garganta desacostumou
"acho que depois dessa eu me vou"
despediu-se ao findar da ponta
mas deixou dez conto pra ajudar na conta
Na luz vermelha a avenida atravessou
mas teve um ford que não parou
Foi tudo tão rápido e forte
que ele só teve a sorte
de lembrar dessa história
e foi sua única memória
antes do fim
mesmo assim
deu tempo de sentir saudade
o que, aquela altura, parecia maldade
que viesse colar na sua retina
o sorriso daquela menina
a qual ele jurou não querer ver nem amar
e justo ela seria a única estrela no céu do seu último olhar.
domingo, 3 de novembro de 2013
Nota de Rodar os Pés
Tradução simultânea, cordas, piano e dança.
Movimento de esperança, melancolia em dor menor.
Dedos acariciam lembranças de amores perdidos
todos correm para se salvar das desventuras impossíveis de evitar.
O teto das certezas desmorona na cabeça das notas.
Volta à dor, sente a alegria de estar só cercado de bom humor.
Os dentes do piano ajudam a falar sorrindo, travando a língua de vacilar
na hora do beijo o importante é se declarar, lambuzar
na boca infiltrar todo o sentimento, oitavado ou suspendido.
Transbordar o desejo quente, lamber como se fosse morder
Morder como se fosse chupar, sugar, amalgamar.
Rufem os oboés da carne! Transcendência espiritual pronta para voo alçar!
Reparo na corda que me sai da cabeça, ela tem som de saudade.
O tempo passa rápido, meu rapaz, não tente a ele se atar.
#
Uma ogiva nuclear explode em mim toda vez que me vejo Amar.
Sou sem medo, sou um bobo toureiro
Vago meu corpo vago de recheio
procurando adubo pro meu campo de centeio,
dobro esquinas em origamis fuleiros
e entrego aos meus encontros como manual fosse
de ensinar quanto é doce o receio
de perdê-los a cada hora do recreio.
o Tempo é curto e Amar é imperativo!
Até amanhã ouviremos um suspiro no silêncio
de um momento de inspiração carente de talento
(purificado devaneio transformando em alento)
Tranco o instante à sete chaves
mas deixo frouxo pra fuga
gosto de ver escorrer do rosto as rugas
Ao som de tango à luz da Lua, penso
seria melhor voltar pra rua
e provocar minha alma outra vez?
Deixe que os espíritos se divirtam
enquanto eu me engano com meias verdades.
Contando as favas e as histórias
de um cara que sonha em ser feliz
mas ao final de todo dia
acaba se tornando uma lorota.
Movimento de esperança, melancolia em dor menor.
Dedos acariciam lembranças de amores perdidos
todos correm para se salvar das desventuras impossíveis de evitar.
O teto das certezas desmorona na cabeça das notas.
Volta à dor, sente a alegria de estar só cercado de bom humor.
Os dentes do piano ajudam a falar sorrindo, travando a língua de vacilar
na hora do beijo o importante é se declarar, lambuzar
na boca infiltrar todo o sentimento, oitavado ou suspendido.
Transbordar o desejo quente, lamber como se fosse morder
Morder como se fosse chupar, sugar, amalgamar.
Rufem os oboés da carne! Transcendência espiritual pronta para voo alçar!
Reparo na corda que me sai da cabeça, ela tem som de saudade.
O tempo passa rápido, meu rapaz, não tente a ele se atar.
#
Uma ogiva nuclear explode em mim toda vez que me vejo Amar.
Sou sem medo, sou um bobo toureiro
Vago meu corpo vago de recheio
procurando adubo pro meu campo de centeio,
dobro esquinas em origamis fuleiros
e entrego aos meus encontros como manual fosse
de ensinar quanto é doce o receio
de perdê-los a cada hora do recreio.
o Tempo é curto e Amar é imperativo!
Até amanhã ouviremos um suspiro no silêncio
de um momento de inspiração carente de talento
(purificado devaneio transformando em alento)
Tranco o instante à sete chaves
mas deixo frouxo pra fuga
gosto de ver escorrer do rosto as rugas
Ao som de tango à luz da Lua, penso
seria melhor voltar pra rua
e provocar minha alma outra vez?
Deixe que os espíritos se divirtam
enquanto eu me engano com meias verdades.
Contando as favas e as histórias
de um cara que sonha em ser feliz
mas ao final de todo dia
acaba se tornando uma lorota.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
riODEjaneiro
Eu não quero ir pra Paris!
Não sou deputado ou imperatriz
que precisam se afirmar.
Sou do Rio de Janeiro!
Terra de sol, rua e pandeiro
de amor na Lapa e no terreiro
de sentir no quadril o fogareiro
que um tambor pode provocar.
Eu não quero ir pra Paris, seu dotô!
gosto mermo é duma farra
de cerveja bem gelada
sentado na beira da praia
isso o sinhô não acha lá.
Eu nunca fui pra Paris
mas sei que faz frio de matar,
a língua é meio estranha
faz até biquinho pra falar.
E isso, seu moço, não costumo desperdiçar,
à minha preta pode perguntar,
quando eu faço meu biquinho
eu sei muito bem usar
no calor do chameguinho
faço a coisa esquentar
e ela me arranha feito onça
muito louca pra beijar!
Eu não quero ir pra Paris!
Aquela torre cheia de luz
não me faz lacrimejar
como a bomba da PM
ou na hora do Império desfilar!
Eu não quero ir pra Paris!
O carnaval já vai brotar
peço pra que pare insistir
que tire a mão de mim
e deixa eu vacilar!
Não sou deputado ou imperatriz
que precisam se afirmar.
Sou do Rio de Janeiro!
Terra de sol, rua e pandeiro
de amor na Lapa e no terreiro
de sentir no quadril o fogareiro
que um tambor pode provocar.
Eu não quero ir pra Paris, seu dotô!
gosto mermo é duma farra
de cerveja bem gelada
sentado na beira da praia
isso o sinhô não acha lá.
Eu nunca fui pra Paris
mas sei que faz frio de matar,
a língua é meio estranha
faz até biquinho pra falar.
E isso, seu moço, não costumo desperdiçar,
à minha preta pode perguntar,
quando eu faço meu biquinho
eu sei muito bem usar
no calor do chameguinho
faço a coisa esquentar
e ela me arranha feito onça
muito louca pra beijar!
Eu não quero ir pra Paris!
Aquela torre cheia de luz
não me faz lacrimejar
como a bomba da PM
ou na hora do Império desfilar!
Eu não quero ir pra Paris!
O carnaval já vai brotar
peço pra que pare insistir
que tire a mão de mim
e deixa eu vacilar!
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Bailarinos de Fogo e Rua
Se encontraram
esses corpos
de longe se olharam
e dançaram juntos
no ar
o dela rodava
o dele pirava
eriçado, ficou sem saber
o que fazer(?)
já sabia
bastava re-conhecer
Faceira menina
pensa que manobra
seu corpo labareda
O dele
bicho criado solto
sacou de primeira
estava ali na sua frente
a sua porta bandeira
Venceram exu em encruzilhada
que teimou em atrapalhar
um encontro milenar
de voltar a acontecer
O primeiro toque
fez amanhecer
a certeza
uma unidade jamais experimentada
um reflexo tão forte
da essência de um corpo
no outro espelhada
Em tempos de prisões
opressões programadas
esses livres corpos
ousaram se amalgamar
e reafirmar a liberdade
que também com o corpo
se deve partilhar
Divina comédia da vida regrada
quem vive pelo chão da rua
pelo brilho da lua
e se encanta pelo desconhecido da estrada
ontem sentiu de longe uma festança
dada pelo encontro implacável
de duas almas ciganas
e dois corpos movidos a dança
que da vida não esperam
além de tudo
mais nada.
esses corpos
de longe se olharam
e dançaram juntos
no ar
o dela rodava
o dele pirava
eriçado, ficou sem saber
o que fazer(?)
já sabia
bastava re-conhecer
Faceira menina
pensa que manobra
seu corpo labareda
O dele
bicho criado solto
sacou de primeira
estava ali na sua frente
a sua porta bandeira
Venceram exu em encruzilhada
que teimou em atrapalhar
um encontro milenar
de voltar a acontecer
O primeiro toque
fez amanhecer
a certeza
uma unidade jamais experimentada
um reflexo tão forte
da essência de um corpo
no outro espelhada
Em tempos de prisões
opressões programadas
esses livres corpos
ousaram se amalgamar
e reafirmar a liberdade
que também com o corpo
se deve partilhar
Divina comédia da vida regrada
quem vive pelo chão da rua
pelo brilho da lua
e se encanta pelo desconhecido da estrada
ontem sentiu de longe uma festança
dada pelo encontro implacável
de duas almas ciganas
e dois corpos movidos a dança
que da vida não esperam
além de tudo
mais nada.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Fezes menos quem cheira bem...
Jeitinho meigo de fazer crescer pelos nos cotovelos de cotovias tristes.
Morreu deixando as narinas abertas, respirando novas cores, sabores, gazes e amores, assim que avistou no horizonte a fonte de todos os seus dessabores.
Não tinha mais dúvidas, contou com sua astúcia e correu pra onde era mais longe.
Em outro plano, desgastado e vestindo só um pano, surrado, deu três pulos pro lado errado e se fodeu. Como se não bastasse toda a correria, corrigiu a pontaria, viu o povo em romaria e disse assim:
"Manda parar com essa palhaçada sem tino, cessem os tiros, mordam seus lábios e olhem pro vaso. Lá, estático e boiando estará seu futuro te olhando. Limpem suas bundas corretamente e sejam felizes!"
Morreu deixando as narinas abertas, respirando novas cores, sabores, gazes e amores, assim que avistou no horizonte a fonte de todos os seus dessabores.
Não tinha mais dúvidas, contou com sua astúcia e correu pra onde era mais longe.
Em outro plano, desgastado e vestindo só um pano, surrado, deu três pulos pro lado errado e se fodeu. Como se não bastasse toda a correria, corrigiu a pontaria, viu o povo em romaria e disse assim:
"Manda parar com essa palhaçada sem tino, cessem os tiros, mordam seus lábios e olhem pro vaso. Lá, estático e boiando estará seu futuro te olhando. Limpem suas bundas corretamente e sejam felizes!"
Foguinho
uma vontade boa de te fazer um cafuné
bateu em minha porta
e eu
a
bri
senhoras e senhores
o coração
pula de um pé só
dá uma rodadinha
e vai
feliz
pra rua!
bateu em minha porta
e eu
a
bri
senhoras e senhores
o coração
pula de um pé só
dá uma rodadinha
e vai
feliz
pra rua!
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